| A condessa já em idade avançada |
Luísa Margarida de Barros Portugal, nasceu em Salvador, Bahia a 13 de abril de 1816. Filha de Domingos Borges de Barros , o Visconde de Pedra Branca, ilustre diplomata e poeta e de sua esposa Maria do Carmo Gouveia Portugal. Desde cedo, ela passou a viver com a família entre a França e o Brasil. De seu pai herdou a cultura, as maneiras francas e agradáveis, a firmeza de caráter, o gênio romântico e bucólico e a sensibilidade dos sentimentos. (Cartas as Suas Majestades, Conselho Federal de Cultura, 1977, p.12)
Em 1856 foi convidada para ser a preceptora da Princesa Imperial D. Isabel e sua irmã a Princesa D. Leopoldina, convite transmitido pelo Mordomo da Casa Imperial Barbosa da Silva, em nome do Imperador D. Pedro II. (Cartas as Suas Majestades, Conselho Federal de Cultura, 1977, p.12)
Após essa época, casa-se com o Visconde Eugênio de Barral e passou a residir por um longo período no Engenho São João. O antigo Engenho São João era localizado no atual Município de São Sebastião do Passé e pertencia ao Visconde de Pedra Branca, (Domingos Borges de Barros), personalidade de grande importância na vida da Província, relevada de forma incontestável quando representou o Brasil como Deputado nas Côrtes de Lisboa. (MATOS,1975, p. 41).
A Condessa de Pedra Branca e Barral, conservou em relação aos negros, a mesma generosidade e compreensão paterna, permitindo após o falecimento do esposo, em 1868, a libertação dos filhos das suas escravas, para em 1880 alforriá-las totalmente. (MATOS,1975, p.41). Barral era uma liberal moderada e defendia a abolição, apesar, de não se hesitar em mandar punir seus escravos quando necessário, registrados em seu diário.
“Roubaram os patos e o óleo de mamona: Ignácia chicoteada quinze vezes”. (VEJA, ed. 2087).
Desprovida de orgulho, repudiava os preconceitos, irradiando simpatia em todos os ambientes, fosse entre os negros ou aristocratas da Corte. Apesar de ser preceptora da Princesa Imperial D. Isabel e sua irmã a Princesa D. Leopoldina ensinou vários escravos tanto o catecismo quando na parte educacional dos mesmo, sendo que na época não existiam escolas. A condessa testemunhou de perto alguns acontecimentos críticos da história brasileira e francesa que a tornaram uma pessoa muito culta e com uma visão esclarecida dos problemas existente naquela época. (MATOS, 1975, p. 41)
Falecera a Condessa de Barral e Pedra Branca, na Europa, aos 75 anos de idade no dia 14 de janeiro de 1891, pouco antes do falecimento do Imperador. (MATOS, 1975, p.43)
Fonte de pesquisa:
Matos, Milton dos Santos - Reconcavo; Berço dos Canaviais. Salvador, Ed. Itapoan, 1975, 64p.
Cartas as Suas Majestades, Conselho Federal de Cultura, 1977.
Alberto Cerqueira Valente – Historiador e Diretor do Departamento de Cultura do Município de São Sebastião do Passé.
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